Alckmin descarta reduzir tarifa do transporte

Alckmin descarta reduzir tarifa do transporte
14 de junho de 2013
Quinto grande ato contra o aumento das passagens SP
14 de junho de 2013

Alckmin descarta reduzir tarifa do transporte

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) descartou a hipótese de suspender, por 45 dias, o reajuste já aplicado das tarifas do transporte coletivo subordinado ao Estado na capital. A negativa foi dada no início desta tarde (13), em entrevista coletiva concedida após solenidade realizada em Santos (72 km de São Paulo).

A proposta de retomar o preço anterior em ônibus municipais de São Paulo e do metrô, por exemplo, foi apresentada hoje pelo MP (Ministério Público) por meio do promotor de habitação e urbanismo da capital, Maurício Lopes. A medida foi anunciada nessa quarta-feira (12), após audiência com representantes das secretarias estadual e municipal de Transportes e do movimento pela redução da tarifa. Em troca, os manifestantes suspenderiam os protestos em vias públicas.

“Não, não”, disse o governador, negando o retorno ao valor antigo da passagem. “Ela [a correção da tarifa] foi menor do que a inflação. Tanto [para] o ônibus da prefeitura de São Paulo quanto [para] o metrô, quanto o trem. Ou seja, se procurou que os ganhos de eficiência e produtividade fossem transferidos ao usuário do sistema”.

Alckmin voltou a afirmar que ” manifestação é livre, legítima, natural, isso não tem nenhum problema. Outra coisa é você fazer depredação de patrimônio público, deixar um rastro de destruição por onde passa, prejudicando o usuário do sistema”. Também reiterou que ” as pessoas devem responder pelos prejuízos causados não ao governo, mas causados ao conjunto da população”.

A violência de parte dos manifestantes e a reação policial aos atos, que se intensificaram nessa quarta, fizeram o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pedir à Polícia Federal que analise as ondas de protestos em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Temos que garantir a liberdade de expressão, mas, em momento algum, abuso e danos ao patrimônio”, declarou Cardozo, na quarta-feira.

Também em Santos, o secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, afirmou que “isto [o diálogo entre os governos federal e estadual, em questões de segurança] faz parte de uma dinâmica natural. Se eles tiverem alguma informação que nos seja útil, eles poderão repassar, será muito bem-vinda”.

O prefeito Fernando Haddad (PT) recebeu o ofício depois do início da manifestação, e a proposta ainda está sendo analisada.

Caso a suspensão do reajuste fosse aceito, os manifestantes prometiam um “ato de celebração” qu enão implicaria em distribuição do ato por outros pontos da cidade, como ocorreu em outros três protestos organizados pelo MPL (Movimento Passe Livre).

Em função das depredações registradas nos últimos atos, a Polícia Militar prometeu reforçar a fiscalização hoje com o uso de imagens de câmeras espalhadas pela cidade para identificar e responsabilizar criminalmente eventuais vândalos.

De acordo com o major Marcel Soffner, porta-voz da Polícia Militar de São Paulo, “tudo tem sido documentado e arquivado”. Ele afirma que a corporação filma as operações e utiliza o sistema Olho de Águia, que usa imagens captadas em um helicóptero. A corporação também dispõe de várias câmeras espalhadas pela cidade.

A proposta de suspensão do reajuste havia sido firmada nessa quarta (12) com o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) por movimentos sociais que vêm organizando os protestos na capital.

Após quatro horas de debates, o promotor de habitação e urbanismo, Maurício Lopes, se comprometeu a apresentar hoje ao prefeito Fernando Haddad (PT) e ao governador a proposta de suspensão do reajuste das tarifas pelo prazo de 45 dias.

Em contrapartida, os movimentos sociais encabeçados pelo MPL (Movimento Passe Livre) aceitariam suspender as manifestações em vias públicas na capital paulista.

A audiência definiu ainda a formação de uma comissão que discutiria com o poder público nestes 45 dias a composição da tarifa do transporte coletivo, como impostos, insumos e outros itens.

CHUVA / CAOS EM SP

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