Corrupção no transporte público lesa população paulista em 425 milhões de reais

‘Não me agrada o jovem que não protesta’, diz papa Francisco
29 de julho de 2013
Estudo avalia impacto do Programa Bolsa Família na redução da mortalidade infantil
30 de julho de 2013

Corrupção no transporte público lesa população paulista em 425 milhões de reais

Quantidade e volume de irregularidades encontradas surpreendeu até mesmo MP e Cade.

jose-serra-geraldo-alckmin-20111230-size-598

O vazamento de documentos inéditos e a colaboração de um ex-funcionário da empresa alemã Siemens, revelou que os governos tucanos e as companhias da área de transporte sobre trilhos arquitetaram esquema responsável pelo desvio milionário ao longo de, pelo menos, 20 anos.

Neste período, a tarifa saltou de 50 centavos para os três reais conquistados pela população paulista após uma série de manifestações.

Os detalhes levantados pela investigação, realizada em conjunto pelo Cade e Ministério Público – cujo poder investigativo estava sendo questionado pela PEC 37 – revelou que o esquema tinha por objetivo privilegiar as companhias envolvidas nas licitações públicas, em troca de pagamento de propinas para políticos tucanos.

A quantidade de irregularidades encontradas surpreenderam até mesmo os investigadores. Os dados divulgados apontam superfaturamento de 30% em cada uma das obras que foram realizadas ao longo destes anos. Ou seja, a cada dez reais pagos em impostos, três estavam sendo destinados para a sustentabilidade do esquema.

O prejuízo aos cofres públicos chegaram a 425,1 milhões de reais.

A instalação da Linha 5 Lilás, vencida pelo consórcio Alstom, formados pela canadense Bombardier, a alemã Siemens e a espanhola CAF, tiveram serviços orçados em 615 milhões de reais, sendo que destes, 7,5%, ou 46 milhões, eram destinados a pagamento de propinas para políticos do PSDB e dirigentes da estatal.

Na Linha 2 do metrô, a investigação apontou prejuízo de 67,5 milhões. O consórcio vencedor é formado pelas mesmas empresas da Linha 5 Lilás, com a inclusão do consórcio Metrosist.

Ainda segundo as investigações, o articulador do esquema criminoso era o executivo Masao Suzuki, da Mitsui. Apesar de seu papel protagonista, os maiores beneficiados foram a Alstom e os políticos envolvidos.