Dissertação: Banco do Brasil, Selic, os Juros de “Mercado” das Financeiras e as Janelas da Corrupção

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Dissertação: Banco do Brasil, Selic, os Juros de “Mercado” das Financeiras e as Janelas da Corrupção

Essa matéria é continuação do texto  Dissertação: O contexto histórico dos bancos como instrumentos de controle a serviço da corrupção

corrupteca

Leia a tese na íntegra por JAIRO DIAS DE CARVALHO FILHO: http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/3358/jairo_dias.pdf?sequence=1

Banco do Brasil

Em relação ao Banco Central do Brasil ressalta-se a necessidade de elaboração de proposta visando o aproveitamento de seu corpo técnico em toda a estrutura de gestão da Instituição. Na realidade, os gestores do Banco Central sempre estendem o olhar para a iniciativa privada, fazendo da Instituição um trampolim para o mercado financeiro, o objetivo maior. Observa-se a predominância de uma racionalidade instrumental, dada a lógica cumulativa do setor financeiro, sobre as demais formas de avaliação econômica, próxima às necessidades dos interesses das instituições financeiras.
No Brasil, predomina a racionalidade instrumental relacionada a fins cuja origem encontra-se situada no mercado financeiro nacional.
Tal suposição decorre da constatação explícita de que a racionalidade predominante, na condução da política econômica, é engendrada no seio do mercado financeiro nacional e prioriza, através da instituição do conceito de metas de inflação, a análise superficial dos processos inflacionários, em detrimento de todas as variáveis macroeconômicas disponíveis.
Desta forma, podemos afirmar que a racionalidade instrumental estabelecida pelo Banco Central prioriza o estoque financeiro, em detrimento das relações de produção.
Aliás, esta é uma das características das economias onde o desequilíbrio das relações sociais se dá, a partir da concentração da renda nacional” através da atuação de grupos conservadores alocados no mercado financeiro.
As metas de inflação têm por objetivo criar referências para os agentes econômicos, indicadores capazes de arrefecer expectativas relacionadas à elevação.

A Selic, os Juros de “Mercado” das Financeiras e as Janelas da Corrupção
As taxas de juros praticadas pelas financeiras não representam apenas uma questão técnica, mas acima de tudo, correspondem à ausência de ética e á leniência com que o Banco Central fiscaliza este segmento.
Como forma de exemplificar tal situação pode-se recorrer a um exemplo que analisa a impossibilidade de um “pãozinho de padaria”, de 50 gramas, apresentar preço unitário correspondente a R$ 200,00 (duzentos reais).
Tal elevação de preço não se revestiria apenas de um aspecto técnico, mas ético, pois se relaciona a um alimento básico e de consumo diário de toda a população. Algumas financeiras, atualmente, ainda organizam grupos atuantes nos centros urbanos, com o objetivo de arrebanharem nas ruas, uma quantidade maior de incautos desesperados, as vítimas das TAXAS DE 15% ao MÊS.
Na realidade há uma leniência por parte do Banco Central do Brasil, da classe política brasileira e até mesmo da sociedade, que aceitaram pacificamente o descolamento das taxas, herança de governos passados.

Consolidação do sistema de trocas:

Tais práticas, relacionadas à ausência de segregação de funções uma vez que os responsáveis pelo planejamento orçamentário também passaram a ter a responsabilidade pela execução orçamentária, acabaram ocasionando a consolidação de um sistema de trocas disponibilizado aos integrantes da base de sustentação do Regime Militar, recursos que permaneciam sem controle em função de não transitarem pelo Orçamento Geral da União.
Desta forma, pode-se afirmar que, além do modelo concentrador da renda nacional, estabelecido a partir de um processo de colonização de cima para baixo, pautado na concessão de grandes extensões de terra, no período colonial, acompanhado. de procedimentos que descartaram investimentos na área educacional, ao longo do processo de colonização, as oligarquias jamais deixaram de transitar pelo poder político, seja na fase da política do “café com leite” ou durante a ditadura Militar.
A política clientelista praticada durante o Regime Militar através do Orçamento Monetário, em função de não transitar pelo Orçamento Geral da União, impediu a fiscalização da aplicação dos recursos, contribuindo para a concentração
da renda e poder na sociedade, tendo se constituído em um fator de estímulo à corrupção jamais detectado, em função da ausência de transparência e da força empregada pelo oponente. 28
Observa-se, desta forma, que os problemas decorrentes de uma organização social formalizada de cima para baixo, no Brasil Colônia, que contribuíram sobremaneira para a concentração de renda e poder político, continuaram a ocorrer na fase autônoma do país, posteriormente à sua independência, uma vez que o baixo nível de investimentos na área educacional, as políticas produzidas pelas oligarquias e posteriormente, pelo golpe militar de 1964, se constituíram m fatores determinantes do atual modelo das relações sociais, que ocasionam níveis alarmantes de corrupção em nosso país.