Documentos da ditadura militar

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Documentos da ditadura militar

Um milhão de páginas de arquivos e prontuários do extinto Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS), órgão de repressão do país no período da ditadura militar, foram digitalizados e poderão ser acessados na internet a partir de 01/04/2013, quando completa 49 anos do golpe militar. Segundo a Agência Brasil, a digitalização dos documentos foi feita em dois anos e deve continuar até 2014.

Para o Ministério da Justiça, além da relevância histórica, o material facilitará o trabalho de reparação feito pela Comissão de Anistia, uma vez que poderá ser usado como ferramenta para que perseguidos políticos e suas famílias consigam comprovar parte das agressões sofridas no período da ditadura.

A Comissão de Anistia transferiu mais de 400 000 reais à Associação de Amigos do Arquivo, para a realização do trabalho. Em dezembro de 2012, o Ministério da Justiça autorizou novo repasse, de mais 370 000 reais, para digitalização de outros acervos. O trabalho é resultado da parceria entre a Associação dos Amigos do Arquivo Público de São Paulo e o projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Os documentos podem ser pesquisados em http://www.arquivoestado.sp.gov.br/memoriapolitica/

Veja como consultar o acervo

Todas as 39.996 fichas provenientes da Delegacia de Ordem Política e Social de Santos descobertas em 2010 já foram digitalizadas e estão sendo publicadas na Internet, juntamente com 12.874 prontuários – praticamente a totalidade do acervo. Na Série Dossiês do Departamento de Comunicação Social (DCS), todas as 52.194 fichas remissivas, referentes a indivíduos, também foram digitalizadas e publicadas. Mais 181.945 fichas da Série Prontuários do DEOPS de São Paulo referentes a pessoas e assuntos, também vão para o site do Arquivo Público do Estado de São Paulo. E outras iniciativas para tratar o restante do acervo, como aquela financiada pelo Edital 3 do projeto Marcas da Memória do Ministério da Justiça, já estão em andamento.
Na parte de Pesquisa, a página apresenta um formulário para consulta de fichas e prontuários. Ali é possível fazer a procura por nome, o que pode render várias surpresas. Por exemplo, o sobrenome “Fleury” dá acesso a informações sobre um dos principais arquitetos da repressão, o delegado Sérgio Paranhos Fleury. Mas também pode levar à ficha de Carlos Eduardo Pires Fleury, integrante da Vanguarda Popular Revolucionária. Ele foi trocado em 1970 pelo embaixador alemão, seguindo para a Argélia e depois Cuba, segundo seu prontuário. Em 1971, aos 26 anos, tendo voltado ao Brasil, morreu em confronto com a polícia.
Quando a busca por nome falhar pode-se tentar por assunto. Um exemplo: com a palavra “Saúde” pode-se descobrir as atividades da Associação dos Servidores da Secretaria da Saúde, que o DEOPS investigou; consultar a ficha de um Centro de Saúde localizado na Vila Carrão, Bairro da Zona Leste de São Paulo; ou simplesmente de um cidadão chamado Bensaúde.
Outro campo é “Organização Social” onde é possível especificar em que organização, movimento ou entidade a pessoa fazia política. Por exemplo, a palavra “Pastoral”, pode levar à Pastoral da Juventude, Universitária ou Operária – organizações da Igreja Católica. Vários nomes podem aparecer a partir dessa palavra.