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Jornal da Folha: “maquiou” assassinatos e mesmo depois da ditadura CONTINUOU encobrindo os militares, em troca do que?

Os dez primeiros censores que chegaram a Brasília para servir à ditadura eram jornalistas, o que por si só já coloca em pauta a da imprensa com o regine genocida. Em segundo lugar, na morte de Joaquim Alencar de Seixas sob tortura, no DOI-CODI (SP), ocorrera um fato curioso: seu filho Ivan Seixas, também torturado pelo carniceiro David dos Santos Araújo (que trucidava seres humanos no DOI-CODI com o codinome “Capitão Lisboa”), lera na Folha da Tarde a notícia da morte do pai 24 horas antes de que ela ocorresse. Numa saída com os torturadores, Ivan vê a manchete e, depois de regressar ao inferno do DOI-CODI, encontra seu pai ainda vivo. Ele só seria assassinado um dia depois.

O episódio mostra – e há outros do mesmo tipo – que a colaboração da Folha com a ditadura militar foi além do apoio puro e simples, em editoriais golpistas antes de 31/03/1964 e em sustentação ideológica depois de instalado o regime. Essa colaboração também incluía a produção antecipada da mentira sobre a morte, manchetada, em geral, como resultado de um tiroteio ou um acidente antes que o regime procedesse ao assassinato da vítima. No momento do assassinato, a vítima já estava, perante os olhos do público, “morta como resultado de tiroteio [ou acidente]”. A morte de Eduardo Leite, o Bacuri, assassinado pela ditadura, também foi anunciada antecipadamente, e de forma mentirosa, pela Folha. Seus torturadores chegaram a lhe exibir, no cativeiro, os jornais que afirmavam que ele havia fugido da prisão.

follhadit

O jornal apoiou a ditadura não apenas editorialmente, mas também materialmente, cedendo carros do jornal para agentes do regime e mantendo delatores em cargos de direção, principalmente na Folha da Tarde

Em 30 de junho, o jornal publicou o editorial “Presos políticos?”, em que questionava a existência de pessoas presas no país apenas por causa de suas posições ideológicas. jornalista e escritor Alípio Freire preso pela Operação Bandeirantes em 1969, esteve no DOPS, no Presídio Tiradentes, na Casa de Detenção do Carandiru e na Penitenciária do Estado de São Paulo. Trabalhou duas vezes na empresa Folha, a primeira em 1968, e depois de 1975 a 1979, período no qual testemunhou a demissão de Cláudio Abramo a pedido do II Exército.

O dono da empresa nos anos de chumbo Octavio Frias de Oliveira conhecido como o velho Frias alistou-se nas tropas da Revolução Constitucionalista, que eclodiu em julho de 1932. Permaneceu dois meses em Cunha, na região do Vale do Paraíba, onde passou o aniversário na trincheira, participou de escaramuças e viu companheiros serem mortos. Seu  socio o Carlos Caldeira Filho foi escolhido a dedo pelo Paulo Maluf, amigo do peito de Frias, para ser prefeito de Santos durante um ano, 1979 até 1980, pelo ARENA . O arenista foi presidente da Fundação Cásper Líbero, de 20 de dezembro de 1976 a 20 de abril de 1979, sendo durante sua administração concluída a construção do prédio da Avenida Paulista, em São Paulo, e iniciado o funcionamento da TV Gazeta.

O apoio da Folha a ditadura é fato comprovado, documentado e admitido pela própria empresa. O Grupo Folha, principalmente por meio da Folha da Tarde, emprestava carros para torturadores, mantinha funcionários delatores dentro da redação para entregar colegas e possuía linha editorial de apoio irrestrito ao regime militar.. Após a morte do patriarca, em 2007, assumiram formalmente o grupo seus filhos Luiz (que cuida da parte administrativa) e Otavio Frias Filho, o Otavinho, que comanda a redação da Folha