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Siderurgica no RJ é acusada de contratar milicianos armados para intimidar pescadores

Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) consolidou em 2012 seu lugar entre os maiores fiascos da história do mercado brasileiro. Controlada pela empresa transnacional alemã ThyssenKrupp (73,13%) em sociedade com a brasileira Vale (26,87%), a usina sempre contou com a generosidade do BNDES e o alívio fiscal do governo estadual, mas desde o início de sua construção acumulou problemas sociais, ambientais e trabalhistas. Agora, em meio a uma profunda crise de seu principal controlador, está à venda por um terço do valor que lhe era atribuído em 2010.

A Thyssen quer vender sua parte na CSA e também uma usina “irmã” para processamento e laminação do aço brasileiro que construiu no Alabama com o objetivo de atender à indústria automobilística dos Estados Unidos. O investimento em ambas, que formam a divisão Steel Americas, foi de € 12 bilhões, segundo os alemães, mas a empresa aceita vendê-las por € 3,9 bilhões. Quando os dois projetos foram lançados, ainda antes da crise financeira global, havia forte otimismo quanto ao desenvolvimento do mercado do aço no continente, mas a realidade em 2012 revelou uma retração na demanda que causou um excedente mundial estimado em mais de 500 milhões de toneladas do produto.

Elevado ao cargo somente quando a aprovação da criação da Steel Americas já havia sido decidida, o atual presidente-executivo do ThyssenKrupp, Heinrich Hiesinger, demitiu metade da diretoria do grupo no início de dezembro. Boa parte dos demitidos integrava o grupo de “entusiastas” em relação aos investimentos no Brasil: “O desastre da Steel Americas mostrou que nossa cultura de liderança fracassou. Se continuarmos com o negócio, estaremos cometendo um grande erro”, disse Hiesinger.

Meio ambiente

O possível desligamento do alto-forno não foi a única dor de cabeça causada pela CSA ao longo destes dois anos e meio. O já conhecido descaso da Thyssen com o meio ambiente, materializado no Rio pela extensa supressão de manguezal para a construção da usina e pelo comprometimento da capacidade pesqueira na já combalida Baía de Sepetiba, entre outros fatores, atraiu a profunda oposição do movimento socioambiental e algumas ações movidas pelo Ministério Público Estadual. Para piorar, a empresa alemã foi acusada de contratar milicianos armados com o intuito de intimidar pescadores da região que se manifestavam contra o impacto sobre a pesca artesanal, meio de vida de milhares de pessoas na região.

Já em funcionamento, a CSA foi autuada e multada pelo governo do Rio por atentar contra a saúde pública depois que por três vezes – em dezembro de 2010, maio de 2011 e outubro deste ano – uma fuligem metálica extremamente tóxica expelida pelos seus alto-fornos cobriu diversos quarteirões do bairro de Santa Cruz, vizinho à usina. Reincidente, a empresa já foi multada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em mais de R$ 20 milhões. “Já foram três cartões amarelos, mas nossa paciência com a CSA se esgotou. O próximo passo é a suspensão das atividades”, diz o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc.

Problemas trabalhistas

Problemas trabalhistas também perseguem a CSA desde sua origem, quando um inusitado episódio de contratação e “importação” de operários chineses para trabalhar na construção da usina provocou a ira das centrais sindicais. Uma ação do Ministério Público do Trabalho resultou na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) por parte da empresa. Atualmente, a CSA tem 5,5 mil empregados diretos, segundo a Thyssen.

Para cumprir o TAC, mesmo em meio ao processo de venda, a CSA anunciou em dezembro que destinará R$ 4,5 milhões nos próximos três anos para a qualificação profissional de seus empregados. Os cursos serão ministrados pelo Senai, sob a vigilância do MPT, que fará sua primeira avaliação já em janeiro de 2013. A usina também está impedida de contratar trabalhadores estrangeiros para funções que não envolvam assistência técnica ou transferência de tecnologia.

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