Sindicatos e Partidos pagaram militantes para ato na Avenida Paulista

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Sindicatos e Partidos pagaram militantes para ato na Avenida Paulista

Manifestação convocada por centrais sindicais nesta quinta-feira teve pouca participação espontânea

Dezenas de sindicatos, partidos políticos, movimentos de sem-terra, sem-teto e entidades estudantis juntos conseguiram levar apenas 7 mil pessoas à Avenida Paulista , segundo a Polícia Militar, para um ato na tarde desta quinta-feira.

Sindicatos

Dos 7 mil que estiveram na Paulista, vários foram pagos para participar do protesto. O estudante Eric Rodrigues, de 16 anos, disse que recebeu R$ 80 mais almoço e café da manhã para segurar um balão do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, ligado à Força Sindical

“O pai de uma amiga perguntou se a gente queria trabalhar e eu topei”, disse o estudante que mora em Artur Alvin.

Ele usava uma camiseta com o nome do presidente do sindicato, o deputado estadual Antonio Ramalho (PSDB-SP), líder da ala sindical do PSDB.

Um grupo de garotas com idades entre 15 e 16 anos moradoras do bairro Monte Líbano, Zona Sul, disse ter recebido R$ 30. Elas usavam camisetas da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Hamilton Chaves, dirigente da associação de moradores do bairro, disse que as garotas fazem parte de projetos sociais da associação e que o dinheiro era para alimentação.

O estudante Alex Silva, 20 anos, que mora em Itaquaquecetuba, disse ter recebido R$ 50 da Central dos Sindicatos do Brasil (CSB) para vestir a camiseta da entidade no protesto. Ele e outros dois amigos não sabiam citar um item sequer da pauta da manifestação.

Embora tenha aprovado uma resolução nacional apoiando o protesto e feito convocatórias por meio do diretório municipal e do setorial de Juventude, o PT foi pouco visto na rua.

O presidente do diretório estadual do PT, Edinho Silva, disse que o partido reviu a posição para evitar confrontos com os sindicalistas.

A presença popular espontânea praticamente se restringiu ao Sindicato dos Motociclistas, que levou cerca de 100 pessoas, e ao MST, que atraiu 500 militantes.

Concebido em uma reunião no Instituto Lula, no dia 19 de junho, quando a onda de protestos populares havia se espalhado por todo o País causando danos à imagem do governo e da presidente Dilma Rousseff, o ato desta quinta-feira, em São Paulo, teve muito poucas semelhanças com as manifestações populares de junho.

A primeira diferença visível foi a faixa etária. Enquanto os atos de junho eram formados na maioria por jovens, a manifestação das centrais sindicais levou para a avenida um grande número de velhos sindicalistas, muitos deles empregados na burocracia das entidades trabalhistas. Um homem de 73 anos carregava uma bandeira vermelha da Aliança da Juventude Revolucionária.

Outra diferença foi a presença livre de partidos políticos. Além do PT foram vistas bandeiras do PSTU, PCO, PC do B, Pátria Livre e PMDB.

Enquanto as manifestantes que foram às ruas em junho se expressavam livremente, de forma desorganizada, carregando faixas e cartazes com demandas pessoais feitos em casa, os militantes que foram ao ato desta quinta-feira se limitavam a vestir camisetas ou coletes das centrais sindicais, distribuídos na hora, quando as peruas fretadas chegavam à Paulista.

A infraestrutura foi outro diferencial. Nas passeatas de junho as instruções eram passadas via jogral já que os organizadores não tinham dinheiro para contratar equipamentos. Nesta quinta-feira, na Paulista, foram encontrados oito carros de som funcionando simultaneamente.

As centrais sindicais receberam em 2013 R$ 7,5 milhões em imposto sindical, segundo o Ministério do Trabalho. O dinheiro vem do desconto de um dia de trabalho por ano de cada trabalhador assalariado do Brasil.