O direito a cidade é um privilégio que poucos podem pagar

#OpMulheresLivres #Exposed Estuprador Moises Camilo
2 de junho de 2016

O direito a cidade é um privilégio que poucos podem pagar

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Fotos Alice Vergueiro, Walmor Carvalho e Wladimir Raeder
                       
 O  Catso (Coletivo Autonomo Dos Trabalhadores Sociais) convocou um protesto pelo facebook que, reuniu cerca de 300 pessoas saíram na tarde desta quinta-feira da Praça da Sé, até a Prefeitura de São Paulo. O ato representa mais uma etapa das lutas dos movimentos por moradia em São Paulo, o qual explicita a grande demanda por habitação no país.
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 Desde o início deste mês 25 pessoas em situação de rua morreram em São Paulo , apenas nesta semana  foram 6, todos morreram nas ruas e devido às temperaturas muito frias.
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O comandante da GCM, o inspetor Gilson Menezes, declarou que agentes são autorizados a recolher os pertences  dos moradores (cobertores, colchões e roupas) e que fazem isso para “evitar que o espaço público seja privatizado” ou “para evitar a favelização do local”
 
É inaceitável que a maior cidade do país e terceira maior do mundo trate os seres humanos com tal crueldade, os pobres como se fossem casos de polícia.
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                      Fotos Alice Vergueiro, Walmor Carvalho e Wladimir Raeder
Moradores de rua não possuem o “seu” espaço privado, vivem em situação de rua, portanto, todo o tempo no espaço PÚBLICO. Quando a GM ROUBA cobertas e colchões alegando que essas pessoas estão “privatizando o espaço público”, estamos diante de um curto circuito sociológico (agravado pela banalização dessa distorção da força pública como garantidora, em primeiro lugar, do patrimônio privado). 
Pessoas em situação de rua saem de albergues, pois estes locais tem regras opressoras e autoritárias, e vão dormir nas okupas, pois lá possuem maior autonomia para seguir suas vidas. A única alternativa que a prefeitura consegue enxergar para esta população são albergues geridos pelas quatro grandes ONGs que formam uma espécie de “cartel social” (Apoio, Saec, Santa Lúcia e Croph) e monopolizam as verbas e serviços, e tem como único interesse lucrar com a miséria, e não oferecer o atendimento digno que a rua merece. Há mortes por frio e estas ONGs não tomam nenhuma posição pública, não há interesse nenhum em defender a população de rua. O que há é o medo de perder as verbas repassadas.
Na região do Belém e Mooca a prefeitura fechou serviços e mais pessoas foram dormir nas ruas. O Subprefeito da Mooca (Evandro Reis) fez de tudo para despejar as pessoas da Okupa da São Martinho, e a prefeitura foi conivente com essas ações, assim como é conivente com o Vereador Ricardo Teixeira que faz informativos pedindo o despejo da comunidade do cimento. A (in)justiça também tem sua responsabilidade na perpetuação desse Estado assassino e omisso, uma vez que dá crédito as reintegrações solicitadas pelo poder público, e despreza a voz da população e suas justas reivindicações.
Atualmente, três espaços da cidade estão sendo ocupados pelo povo de rua, numa luta contra o higienismo assassino da prefeitura de SP. O Espaço de Resistência do Povo de Rua – Tenda Alcântara Machado, conta com uma média de 80 pessoas pernoitando por dia, a República Autônoma do Povo de Rua, no Belém, com mais de 50. Junto às pessoas que ali moram, às comunidades do Cimento e ao redor da Tendo, são centenas que (r)existem ao frio e ao excludente projeto da Prefeitura de São Paulo.  
A organização, totalmente autônoma, gerida pelo próprio povo de rua, demonstra a força da luta de resistência e se mostra mais eficiente que a suposta gestão da prefeitura, que rouba pertences e humilha através da GCM enquanto privatiza espaços públicos para bancos e pallets em restaurantes.
Empresários esses que estavam nas audiências e pediam os despejos da comunidade do cimento (marcada para o dia 24/07) e estão pedindo a reintegração da Alcântara. Estes despejos irão colocar mais pessoas nas ruas, que ficarão expostas as baixas temperaturas e mais a mercê da morte, graças a essa política higienista. Tudo isso para que a região sirva livremente a especulação imobiliária e aos interesses dos ricos.
A prefeitura que flerta com os empresário e especulação imobiliária é aquela que violenta e mata os mais pobres na cidade.
Se esses espaços não existissem, poderia haver ainda mais mortos, que até agora são um pra cada noite de frio na cidade.
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    Fotos Alice Vergueiro, Walmor Carvalho e Wladimir Raeder

No próximo dia 24 de julho, a prefeitura se prepara para mais um despejo de famílias na comunidade do cimento e na Tenda Alcântara Machado. Quantas pessoas mais a prefeitura quer matar?
English Version
Since the beginning of this month, 25 homeless persons died in Sao Paulo; this week alone were 6, all dying in the streets due to the harsh cold temperatures. 
The commander of the Municipal Guard (GCM), inspector Gilson Menezes, declared that agents are authorized to forcibly remove the belongings of homeless individuals (clothes, covers, mattresses) and that they do it “to avoid public space becoming privatized” or “to avoid the favelization of the locale”.
It is unacceptable that the biggest city in the country and third largest in the world treat human beings with such cruelty, criminalizing the poor as if homelessness was a policing issue.
 
 Homeless folk dont have “their own” private space, live rather in homelessness, therefore at all times in the public space. When GCM STEALS covers and mattresses saying that these people are “privatizing public space”, we are looking at a serious sociological short circuit – aggravated by banalization of the distortion that the State is guarantor, first and foremost, of private interests.
Nowadays, three spaces on the city are indefinitely occupied by homeless folk, a struggle against this murderous gentrification carried out by the mayor of Sao Paulo. The first space is called Espaço de Resistência do Povo de Rua – Tenda Alcântara Machado, currently housing an average of 80 persons per night; the second space is called República Autônoma do Povo de Rua, at Belém, and has over 50 people. The third space, composed of the people that live in and around Tenda Cimento, has hundreds braving and (r)existing against the excludent project of Prefeitura de São Paulo.  
 
 These cooperatives, totally autonomous and self-governed by the homeless, show themselves to be more efficient than the strategy employed by Municipal authorities, based in harassment, theft of belongings and policing by GCM, while privatizing public space for banks and restaurants. 
If these spaces did not exist, even more dead would appear in the official statistics, that now count one homeless dead per cold night in the city. 
On the upcomimg 24th of July, the mayor is preparing yet another eviction attempt of the families in the Cimento community and Tenda Alcantara Machado. How many more people the Municipal authorities want to kill?