Sinais de uma ditadura renovada e com feições conhecidas

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Sinais de uma ditadura renovada e com feições conhecidas

A memória de muitos é curta. Porém, o que se passou no campus da UEM (Universidade Estadual de Maringá) não deve ser simplesmente estocado em lugar-algum de nossas lembranças. Uma noite de setembro (06, especificamente) em que estudantes reuniram-se para discutir alguns acontecimentos que antecederam este dia, de violência moral, simbólica e física partida de vigilantes do campus. Uma universidade pública, um local público de trânsito de pedestres, ciclistas, motoristas, praticamente 24 horas diárias. Porém, nesta noite, algo foi diferente: funcionários da “segurança” patrimonial do campus que não tinham escala para aquele horário, lá estavam, juntamente com os demais. Totalizavam em mais de 10, em torno do Diretório Central de Estudantes (DCE), com o objetivo repelente de dispersar a reunião de alguns membros deste órgão. Reunião esta em que não havia consumo de bebidas alcoólicas (tão demarcadas em reuniões dos conselhos universitários de que têm de ser abolidas dos eventos culturais no interior da instituição), sequer qualquer forma de ruído que pudesse incomodar vizinhos e a consequente intervenção policial fosse presente (como em outras passagens ocorrera).

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É visível, e isto foi registrado em imagens que seguem em anexo, a intenção prévia em “visitar” a reunião dos estudantes em questão já que, literalmente, distribuíram-se em torno do diretório numa espécie de “linha de frente” de ataque. A princípio, atribuíram tal intervenção ao fato de a hora já ser avançada para estudantes estarem no interior do campus. Estes argumentaram, pacificamente, com o básico (e que todos que frequentam uma universidade pública têm conhecimento): local de trânsito de pessoas todo o tempo, já que se trata de uma instituição de ensino que recebe grandes quantias do cofre público, ou seja: É público e de livre acesso.

Prossigamos: os que ali se reuniam não se intimidaram e permaneceram, mesmo com o “prazo” estipulado em 15 minutos para que saíssem do campus. Passado este intervalo de tempo, os vigilantes retornaram, já com maior rispidez nas falas e ações, consequentemente. Até que a violência, que até então permanecia na verbalização, passou para a modalidade física: óculos de um estudante foram retirados à força, como forma de provocar uma reação agravada deste (claramente para justificar atitude ainda mais violenta na sequência); empurrões, socos nas costas, enfim. Resultado: um

estudante com o nariz quebrado e, de outra perspectiva, uma estudante apedrejada no rosto (também com relato no vídeo em anexo). Violência completamente sem justificativa e brutal. A cicatriz permanece em sua testa (e alma) até hoje. Literalmente fora marcada para o resto de seus dias, seja psíquica ou fisicamente falando. O medo permaneceu, por dias a fio em, literalmente, ser morta em seu local de trabalho, estudo, expressão e militância. Convenientemente marcada por quem deveria garantir a segurança já que, neste ano em especial, suas intervenções políticas (direcionadas à reitoria) foram notórias, de extrema coragem e ironia, merecidamente.

Tem-se, então, o quadro formado e comprovado: a máfia constituída em torno de atitudes, tanto da reitoria, quanto de órgãos a esta submetidos, com seus nomes e feições bem delimitadas. Sabemos que há ligação estreita entre polícia militar e reitoria, assim como daquela com o grupo de vigilantes do patrimônio da UEM. É o coronelismo que tantos pensam ter sido extinguido, em pleno 2013, atuando em um local de formação e transmissão de conhecimento científico. E de onde deveria partir os primeiros passos em direção à livre expressão, que tanto tardamos a desfrutar. A todos os componentes desta máfia chamada UEM: não esquecemos; não perdoamos; nos aguardem.

Vídeo: