A primavera árabe e os conflitos no Norte do Mali

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A primavera árabe e os conflitos no Norte do Mali

A primavera árabe e os conflitos no Norte do Mali
A derrota e a morte de Kadafi em outubro de 2011, cuja parte do seu exército era composta por populações Tuareg, teve duas consequências para a região norte de Mali: o deslocamento de uma parte dos combatentes defensores de Kadafi e também o deslocamento das armas para os grupos Tuareg da região.

Neste sentido, quatro grupos tiveram relativo reforço a partir do final de 2011: o Movimento Nacional de Libertação do Azawad (MNLA), grupo laico que luta pela autodeterminação dos Tuareg; o grupo Ansar Dine, de orientação salafista; o grupo Al Quaeda do Magreb Islâmico (AQMI) e sua cisão, o Movimento pela Unidade e Jihad na África do Oeste (Mujao), ambos de orientação islâmica, também. Os três últimos possuem alguma relação com a Al Qaeda.

No início de janeiro de 2012, o MNLA começou uma ofensiva tomando as cidades de Ménaka, Aguelok e Tessalit. A esta ofensiva, juntaram-se os outros grupos, principalmente, o Ansar Dine.

Devido aos conflitos e à instabilidade na região norte do país, o governo de Amadou Toumani Touré fez um deslocamento de tropas para sufocar a luta pela autodeterminação do povo Tuareg. O exército de Mali foi derrotado pela rebelião do povo Tuareg. Um golpe de Estado, em 22 de março, liderado pelo capitão do exército Amadou Sanogo, poucos dias antes das eleições e apoiado pelo imperialismo francês, preparou as condições para a ofensiva imperialista.

No final de maio, principalmente o MNLA e o Ansar Dine declararam o Estado independente de Azawad, que não foi reconhecido por nenhum outro país da região. Este é o verdadeiro pano de fundo da intervenção: o reconhecimento do MNLA e do Estado Azaward se converteram no centro do problema.

No intervalo entre o golpe e a proclamação do Estado Azaward, os grupos salafistas iniciaram sua ofensiva, tomando cidades do norte (como Kidal, Gao e Tombuctú). Ao não reconhecer o Estado Azaward, o imperialismo francês cria as condições para o isolamento do MNLA. Em finais de junho de 2012, o Ansar Dine e o Mujao (com o apoio do AQMI) avançaram sobre as áreas controladas pelo MNLA. Este último acabou perdendo controle da região, que passou a ser dominada pelos “islamistas radicais”.

Enquanto isto, há uma reorganização do próprio governo no Mali, patrocinada pelo imperialismo francês. Em 20 de agosto de 2012, por exigência da Comunidade Econômica dos Estados Africanos do Oeste (CEDAEO), foi formado um governo de “união nacional” (dos 31 ministros, 18 faziam parte do governo anterior ao golpe e quatro ministros são ligados à junta militar que deu o golpe). Este “novo governo” tomou como objetivo o combate aos “rebeldes do norte” para garantir a unidade do Estado do Mali.

A preparação da intervenção francesa
Neste cenário de conflito nacional, a França foi aos poucos abrindo as portas para uma intervenção armada. O antigo chefe da diplomacia francesa do governo Sarkozy, Alain Juppé, já tinha declarado, em fevereiro de 2012, que o centro de interesses era a “integralidade do território do Mali”. A política do governo Hollande seguiu o mesmo caminho. Uma das manobras do governo Hollande foi conseguir a aprovação da ONU em outubro de 2012 para a preparação de uma intervenção no Mali. Em 20 de dezembro, o Conselho de Segurança aprovou o envio de militares para “estabilizar” a região.

A primavera árabe e os conflitos no Norte do Mali
A derrota e a morte de Kadafi em outubro de 2011, cuja parte do seu exército era composta por populações Tuareg, teve duas consequências para a região norte de Mali: o deslocamento de uma parte dos combatentes defensores de Kadafi e também o deslocamento das armas para os grupos Tuareg da região.

Neste sentido, quatro grupos tiveram relativo reforço a partir do final de 2011: o Movimento Nacional de Libertação do Azawad (MNLA), grupo laico que luta pela autodeterminação dos Tuareg; o grupo Ansar Dine, de orientação salafista; o grupo Al Quaeda do Magreb Islâmico (AQMI) e sua cisão, o Movimento pela Unidade e Jihad na África do Oeste (Mujao), ambos de orientação islâmica, também. Os três últimos possuem alguma relação com a Al Qaeda.

No início de janeiro de 2012, o MNLA começou uma ofensiva tomando as cidades de Ménaka, Aguelok e Tessalit. A esta ofensiva, juntaram-se os outros grupos, principalmente, o Ansar Dine.

Devido aos conflitos e à instabilidade na região norte do país, o governo de Amadou Toumani Touré fez um deslocamento de tropas para sufocar a luta pela autodeterminação do povo Tuareg. O exército de Mali foi derrotado pela rebelião do povo Tuareg. Um golpe de Estado, em 22 de março, liderado pelo capitão do exército Amadou Sanogo, poucos dias antes das eleições e apoiado pelo imperialismo francês, preparou as condições para a ofensiva imperialista.

No final de maio, principalmente o MNLA e o Ansar Dine declararam o Estado independente de Azawad, que não foi reconhecido por nenhum outro país da região. Este é o verdadeiro pano de fundo da intervenção: o reconhecimento do MNLA e do Estado Azaward se converteram no centro do problema.

No intervalo entre o golpe e a proclamação do Estado Azaward, os grupos salafistas iniciaram sua ofensiva, tomando cidades do norte (como Kidal, Gao e Tombuctú). Ao não reconhecer o Estado Azaward, o imperialismo francês cria as condições para o isolamento do MNLA. Em finais de junho de 2012, o Ansar Dine e o Mujao (com o apoio do AQMI) avançaram sobre as áreas controladas pelo MNLA. Este último acabou perdendo controle da região, que passou a ser dominada pelos “islamistas radicais”.

Enquanto isto, há uma reorganização do próprio governo no Mali, patrocinada pelo imperialismo francês. Em 20 de agosto de 2012, por exigência da Comunidade Econômica dos Estados Africanos do Oeste (CEDAEO), foi formado um governo de “união nacional” (dos 31 ministros, 18 faziam parte do governo anterior ao golpe e quatro ministros são ligados à junta militar que deu o golpe). Este “novo governo” tomou como objetivo o combate aos “rebeldes do norte” para garantir a unidade do Estado do Mali.

A preparação da intervenção francesa
Neste cenário de conflito nacional, a França foi aos poucos abrindo as portas para uma intervenção armada. O antigo chefe da diplomacia francesa do governo Sarkozy, Alain Juppé, já tinha declarado, em fevereiro de 2012, que o centro de interesses era a “integralidade do território do Mali”. A política do governo Hollande seguiu o mesmo caminho. Uma das manobras do governo Hollande foi conseguir a aprovação da ONU em outubro de 2012 para a preparação de uma intervenção no Mali. Em 20 de dezembro, o Conselho de Segurança aprovou o envio de militares para “estabilizar” a região.