Assange, Snowden, Manning: 3 homens, nenhum segredo

Obama diz que Snowden causou dano desnecessário
21 de dezembro de 2013
As principais ameaças virtuais do ano
23 de dezembro de 2013

Assange, Snowden, Manning: 3 homens, nenhum segredo

Revelar informação secreta pressupõe que se possa alertar alguém, que de fato quer ser alertado, e que está em posição de fazer algo a respeito. Certo? Errado!

Obviamente, os que podem fazer algo a respeito da política externa dos Estados Unidos, os que têm o poder – o Legislativo: congresso e em especial o Senado; o Executivo: Departamento de Estado, Pentágono e Casa Branca; o Judiciário: Suprema Corte; o econômico: bancos gigantes; a cultura: os grandes meios de comunicação – sabem perfeitamente bem que isso acontece. O pior são os outros países que são espionados, sabem e não fazem nada!

Listamos aqui alguns dos atos que levaram a punição de Assange, Manning e Snowden:

Curta Anonymous no Facebook: AnonymousBrasil

Manning divulgou um vídeo sobre o ataque de um helicóptero contra várias pessoas, a maioria não combatentes e desarmadas, no Iraque, entre os quais havia dois jornalistas da agência de notícias Reuters. O parlamento iraquiano rechaçou a proposta do governo de George W. Bush (2001-2009) de manter uma base militar nesse país. Os Estados Unidos se retiraram do Iraque em 31 de dezembro de 2011.

Manning revelou a magnitude total da corrupção do ditador da Tunísia, Zine el-Abidine Ben Ali, o que avivou a revolta juvenil. Mostrou que o ditador do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, aceitou os ataques com aviões não tripulados dos Estados Unidos em seu país, o que levou à sua a saída do poder. Através do vazamento de informações dele na Wikileaks, ficamos sabendo que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ordenou a diplomatas da Organização das Nações Unidas (ONU) que espionassem seus colegas no fórum mundial em busca de informação detalhada sobre os líderes da ONU, com chaves criptografadas.

Ainda se deve a Manning os créditos por revelar:

  • que secretário de Estado John Kerry pressionou Israel para que se mostrasse aberto a devolver as Colinas de Golã à Síria como parte das negociações de paz;
  • a corrupção  do governo afegão;
  •   a natureza autoritária e corrupta do regime de Hosni Mubarak (1981-2011) no Egito;
  • a política israelense de “manter a economia de Gaza funcionando em sua mínima expressão possível enquanto se evitasse uma crise humanitária”;
  • que o presidente da Síria, Bashar al-Assad, e sua mulher compraram jóias e levavam um estilo de vida luxuoso na Europa, enquanto sua artilharia matava em Homs.

 Julian Assange  divulgou tudo o que  Manning mandou no Wikileaks.

Edward Snowden mandou arquivos com provas de espionagem para serem publicados em dois jornais:

No dia 5 de junho, o jornal britânico “The Guardian” publicou a primeira reportagem sobre os programas de espionagem, mostrando que a Agência Nacional de Segurança coleta dados sobre ligações telefônicas de milhões de americanos diariamente e que também acessa fotos, e-mails e videoconferências de internautas que usam os serviços de empresas americanas, como Google, Facebook e Skype. A reportagem foi assinada pelo jornalista americano Glenn Greenwald.

Em 7 de junho, o jornal americano “The Washington Post” também publicou dados entregues por Snowden, que detalham um programa de vigilância secreta que reunia equipes de inteligência da Microsoft, Facebook, Google e de outras empresas do Vale do Silício.

Em outubro, o jornal complementou as denúncias, afirmando que a Agência Nacional de Segurança (NSA) invadiu em segredo links de comunicação que conectam data centers do Yahoo e do Google ao redor do mundo, e teve acesso assim a dados de centenas de milhares de contas de usuários

No dia 9 do mesmo mês, em entrevista ao “The Guardian”,a identidade do responsável pelo vazamento foi revelada. “Não tenho nenhuma intenção de me esconder porque sei que não fiz nada de errado”, disse Snowden.

Em 31 de julho, o “Guardian” publicou nova reportagem, mostrando que um sistema de vigilância secreto conhecido como XKeyscore permite à inteligência dos EUA. O sistema seria o de maior amplitude operado pela agência nacional de segurança americana.

No fim de outubro, o “Washington Post” revelou que a NSA invadiu em segredo links de comunicação que conectam data centers do Yahoo e do Google ao redor do mundo, e teve acesso assim a dados de centenas de milhares de contas de usuários. O chairman do Google, Eric Schmidt, disse que denúncia é ultrajante e potencialmente ilegal se for verdade.

Em dezembro, o jornal americano voltou a fazer revelações, informando em reportagem que os EUA monitoram diariamente a geolocalização de centenas de milhões de celulares no planeta.

Todas as informações são úteis, essa onda de espionagem nas redes sociais, no próprio Google e no nosso cotidiano só nos levam a uma pergunta: Essas informações são úteis a quem? A quem interessa saber onde estou, com quem estou, o que estou fazendo, sentindo ou pensando quando posto essas informações no status do Facebook?
Toda reflexão também é válida.

Assange, Manning e Snowden fizeram declarações a fim de tornar o mundo um lugar melhor, mais democrático, onde injustiças e absurdos são desmascarados. Se eles não conseguiram mudar as atitudes do governo, que pelo menos comecem a mudar a consciência das pessoas para que façam uso correto de informações contra todo esse sistema.

A mudança começa por você.