Ativista criadora da série A História das Coisas quer alertar que o sistema de produção mundial está em crise

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Ativista criadora da série A História das Coisas quer alertar que o sistema de produção mundial está em crise

A ambientalista lança vídeos na rede para alertar que o sistema de produção mundial está em crise

Em um vídeo bem caseiro e com a ajuda de desenhos de traços nada sofisticados, a norte-americana Annie Leonard mostra o resultado de mais de dez anos de pesquisas sobre o sistema de produção e descarte de produtos no mundo. Em certo ponto, faz a seguinte pergunta: “Você consegue adivinhar a quantidade de materiais produzidos que ainda estão em uso seis meses depois de serem vendidos na América do Norte?” E manda a resposta: 1%. Ou seja, 99% dos materiais que são colhidos, processados e transformados em produtos são descartados em apenas meio ano.

Esse é apenas um entre vários dados chocantes que a ambientalista mostra no vídeo A História das Coisas, lançado de graça na internet em dezembro de 2007. Annie visitou cerca de 40 países para investigar o que acontece nas fábricas e nos lixões pelo mundo. A repercussão foi tão boa que ela lança agora um vídeo sobre soluções climáticas e durante 2010 está previsto ainda um vídeo sobre a história da água engarrafada e da produção de eletrônicos e outro sobre a indústria de cosméticos. A ideia é aprofundar alguns temas abordados em A História das Coisas – que também vai ganhar uma versão em livro.

Annie Leonard formou-se pela Faculdade de Lakeside, e tem uma graduação de Barnard College e graduado pela Universidade de Cornell em planificação urbana e regional. É co-criadora e coordenadora do GAIA (Global Alliance for Incinerator Alternatives)6 e atua nos conselhos de Fórum Internacional de Globalização e Saúde Ambiental.

annieleo

Quando você começou a se dedicar às causas ambientais?
Nasci em Seattle, nos Estados Unidos, e minha família costumava viajar para acampar todo verão. Eu ficava hipnotizada olhando a paisagem pela janela do carro. Mas a cada ano percebia que as árvores iam desaparecendo do cenário. Por amor à natureza, decidi fazer faculdade de meio ambiente em Nova York. Toda manhã, a caminho da escola, reparava nas pilhas de lixo acumuladas no meio-fio. Quando voltava para casa, as calçadas estavam vazias.

Fiquei intrigada com esse fluxo de lixo e comecei a olhar o que havia dentro dessas pilhas intermináveis. A maioria do lixo era papel. É para ali que iam parar minhas amadas florestas! Nos Estados Unidos, 42% da madeira retirada é usada para fazer papel. E 40% do lixo das ruas é papel. Ou seja, poderíamos reduzir em 40% o nosso lixo se o papel fosse reciclado e reduziríamos a necessidade de cortar árvores.

O que te inspirou a fazer A História das Coisas?
Depois que eu percebi que quase metade do lixo das ruas de Nova York um dia foi floresta, resolvi descobrir aonde ia parar esse material. Viajei para Fresh Kills, um dos maiores depósitos de lixo do mundo, com 12 km². Eu nunca tinha visto nada igual. O que eu via, por todos os lados, eram geladeiras, caixas, computadores, roupas usadas – coisas. Eu não conseguia entender como criamos um sistema baseado na destruição dos recursos naturais e na geração de lixo. Decidi pesquisar mais a fundo. Trabalhei para organizações ambientais e numa campanha para fazer com que as nações ricas parassem de exportar lixo para os países pobres. Nesse tempo, viajei pelo mundo, visitando fábricas onde os produtos são produzidos e lixões onde eles são depositados. Visitei comunidades que perderam seus suprimentos de água e sua saúde por causa da poluição das indústrias. Percebi que o consumismo, principalmente nos Estados Unidos, era o culpado por tantos problemas.

E a ideia do filme?
Decidi dividir com as pessoas as informações que coletei e inspirá-las a fazer mudanças positivas em seus hábitos de consumo.

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