O processo na Síria é principal confronto da revolução e da contrarrevolução mundial hoje

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O processo na Síria é principal confronto da revolução e da contrarrevolução mundial hoje

Uma contraofensiva de Assad com o protagonismo do Hezbollah

Há alguns meses, o curso da guerra civil propiciava uma série de avanços das forças rebeldes que, em certo sentido, diminuíram a enorme diferença quanto ao poderio militar.
No entanto, nas últimas semanas, esta situação começou a mudar e, hoje, se desenvolve uma forte contraofensiva do exército leal ao tirano, que conseguiu retomar pontos importantes antes controlados pelos rebeldes.
A contraofensiva do regime, que parecia esgotado e amargurava uma série de derrotas pontuais, baseia-se em um elemento novo e de muita importância política e militar: a entrada de forma aberta e contundente dos combatentes do Hezbollah, a partido-milícia xiita libanês, no campo militar da ditadura síria.
Este não é um fato de pouca importância, pois se trata de uma das mais poderosas organizações político-militares do Oriente Médio. De fato, a participação de milhares de combatentes do Hezbollah a serviço do regime sírio demonstrou-se qualitativa em Homs, um dos centros da revolução e a terceira cidade em importância do país, que está sob assédio permanente. Sem a ajuda do Hezbollah, dificilmente a ditadura teria retomado, por exemplo, Wadi al Sayeh, um bairro estratégico. O bombardeio em Homs é incessante e infernal e está transformando essa cidade em escombros. À chuva de projeteis, seguem-se incursões terrestres, que segundo relatórios rebeldes, são lideradas por combatentes do Hezbollah. O objetivo imediato do regime seria recuperar o controle da estrada que liga essa cidade com Hama.
As forças do Hezbollah também tiveram um papel de vanguarda nas vitórias parciais que o regime conseguiu em Damasco, onde reconquistou postos de controle em Zamalka e consolidou a recuperação de Qaysa, ambas localizadas a leste da cidade. Desde estes pontos da periferia, que foram defendidos a duras penas pelas milícias rebeldes até sua queda, o regime pode agora bloquear importantes rotas de envio de armas e fornecimentos para o Exército Livre de Síria (ESL).
Desta forma, o Hezbollah, que conseguiu uma importante autoridade e admiração de milhares de ativistas em todo o mundo por ter derrotado a invasão de Israel ao Líbano em 2006, na guerra civil síria está cumprindo um papel literalmente contrarrevolucionário, colocando toda sua autoridade política e seu poder militar a serviço da sustentação da ditadura da família Assad.
Este elemento leva-nos a reafirmar uma conclusão: a esta altura da guerra civil, a ditadura mantém-se no poder fundamentalmente devido ao apoio externo que recebe, como é sabido, não só do Hezbollah, mas também do regime teocrático e reacionário do Irã, que lhe proporciona mísseis e especialistas militares; da Rússia, que lhe provê armas modernas e dispositivos antiaéreos, além de todo o trabalho diplomático e o peso de sua base naval em Tartus; e de países como a Venezuela governada pelo chavismo, que lhe fornece uma parte do combustível utilizado pela aviação do regime para bombardear os rebeldes e a população civil.