Por quê o dólar se valoriza? E quais são os impactos sobre a economia brasileira ?

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Por quê o dólar se valoriza? E quais são os impactos sobre a economia brasileira ?

Obama

Perante a disparada da desvalorização do real frente ao dólar, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a retirada do imposto que tinha sido criado para a entrada do dólar desde 2011 – os 6% de IOF (Imposto sobre as Operações Financeiras) que incidiam sobre a renda fixa, as aplicações com prazo maior que um ano. Essa medida provocará o aumento da entrada de capitais especulativos no Brasil, direcionados para a aplicação em títulos públicos, o que provocará o aumento da especulação sobre a dívida pública. Os impostos sobre a entrada de dólares por períodos inferiores a um ano e operações com derivativos serão mantidos, ao menos por enquanto; mas, conforme o fechamento das contas públicas continuar dependendo de capitais altamente especulativos, a entrada deverá ser relaxada ampliando a medida atual.

O objetivo da medida, segundo o governo, seria compensar o déficit na balança comercial e a valorização do dólar, favorecendo a valorização do real. De acordo com o Banco Central, o saldo cambial fechou o mês de maio em US$ 10,7 bilhões, o maior saldo mensal positivo desde julho de 2011, quando tinha atingido US$ 15,8 bilhões. De janeiro a maio deste ano, o saldo somou US$ 12,1 bilhões, contra US$ 22,6 bilhões no mesmo período do ano passado.

O resultado da balança comercial dos cinco primeiros meses do ano foi de US$ 5,4 bilhões negativos, o pior da história do Brasil. Somente em maio foi de US$ 760 milhões negativos, muito abaixo da expectativa do governo, que era de algo próximo aos US$ 2 bilhões positivos, e totalmente distante do superávit comercial acumulado em 2011, que foi de US$ 29 bilhões.

Por que o dólar se valoriza?

A fragilidade da economia brasileira fica evidente quando consideramos que o imperialismo norte-americano, ao igual que as demais principais potências imperialistas, tem inundado o mercado mundial com moeda podre.

A imprensa  tem tentado apresentar o problema como passageiro devido aos supostos indícios dados pelo governo norte-americano a respeito da redução das emissões de moeda podre. Na realidade, as grandes empresas não têm a mínima chance de manter os lucros, e até mesmo de sobreviver, se for cortado o fluxo de recursos públicos; provavelmente, até tenham que ser aumentados. Por meio dos programas chamados QEs (quantitative easing ou alívio quantitativo) são injetados US$ 85 bilhões mensais para comprar títulos podres pelo valor cheio, além dos empréstimos ilimitados a taxas de juros próximas a 0% feitos pela Reserva Federal.

Com o mesmo objetivo, o governo do Japão destinou US$ 700 bilhões anuais, o BCE (Banco Central Europeu) destina centenas de bilhões de euros, sob vários programas, e o BoE (Banco da Inglaterra) tem destinado em torno a 400 bilhões de libras esterlinas nos últimos quatro anos; todos oferecem empréstimos ilimitados a taxas de juros próximas a 0%.

Nessas condições, poderia se pensar que o dólar estaria se enfraquecendo e perdendo valor, e que a tendência seria à valorização, inclusive para facilitar a repatriação de lucros dos países atrasados, como o Brasil, pelos especuladores.

Se bem isso é verdadeiro, o problema é que o real tem se desvalorizado ainda mais sobre a base das crescentes emissões de títulos podres pelo Tesouro Nacional e as crescentes tomadas de empréstimos no exterior, que estão na base dos repasses de recursos para os bancos públicos que, por sua vez, os repassam para os capitalistas em condições ultra-favorecidas.

O esquálido crescimento da economia tem como base o aumento do endividamento público e privado, o aumento do déficit comercial, a disparada do déficit nas contas públicas, a concentração da crise no estado burguês e a escalada da especulação financeira em cima da dívida pública. A economia real já está em recessão e somente funciona sob a base dos recursos públicos, com um foco cada vez mais especulativo.