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Uma nova democracia

Um pequeno país do norte da Europa parece estar construindo um novo modelo democrático, não mais caminhando sob o velho mito da democracia representativa.

A Islândia, que possui pouco mais de 300 mil habitantes em seu território com pouco mais de 100 mil Km², vem mostrando ao mundo que é possível termos um novo tipo de democracia, a democracia direta.

Fundada em valores de uma participação popular mais efetiva que a democracia representativa, a democracia direta chama a população diretamente para as discussões que são de extrema relevância para aquele país. Esse começo de transformação de sistema democrático em um país europeu, ocorre justamente em um momento crucial para o sistema capitalista, onde várias das maiores economias do planeta estão em crise.

Mergulhada na crise mundial iniciada em 2008, esse pequeno país conseguiu ser um dos primeiros a sair completamente desse turbilhão econômico tornou-se um exemplo para todos os demais. Primeiramente, o próprio governo islandês levou á plebiscito (após uma gigante pressão popular) propostas envidas pelo parlamento, a qual decidiria a ajuda do governo á bancos falidos. O povo islandês logo decidiu (por sua quase totalidade) que não pagaria nenhum centavo de dívidas de bancos que afundaram o país na crise econômica. Mais que isso, o povo mais uma vez conseguiu mobilizar-se e em uma decisão inédita conseguiu levar os banqueiros (responsáveis pela quebra do país) ao banco dos réus e uma consequente condenação á prisão. Situação muito diferente do resto do continente europeu que viram os banqueiros do seu país receber ajuda dos governos e ainda saírem viajando em seus luxuosos navios, enquanto o povo vive com o fantasma do desemprego.

Para causar uma maior estranheza em um mundo fadado ao fracasso da democracia representativa, a Islândia promulgou uma nova constituição, onde seus constituintes não foram parlamentes e nenhum tipo de governante, mas sim 25 pessoas escolhidas pelo próprio povo e que teve por meio de todo população islandesa, palpites e opiniões que chegavam de todos os lugares do país via internet, que também podiam assistir os debates ao vivo pela rede.

Resultado da nova constituição islandesa: todos os recursos naturais do país foram publicitados e proibição de o governo ter qualquer documento secreto, seja ele de qual grau de importância seja (inclusive os de uma possível guerra), dos cidadãos da Islândia. Mas para a surpresa de muitos, esse ainda não foi considerado a maior conquista do povo com a promulgação da nova carta constitucional do país. A partir daquele documento foi criado uma das bases mais fortes para uma provável democracia direta na ilha, toda lei colocada em pauta no parlamento (seja ela por ação popular, ou seja ela pela ação parlamentar) precisa apenas do pedido de 10% da população do país para que ela seja tirada da competência de votação parlamentar, para passar a ser de competência de um plebiscito popular.

Segundo dados oficiais, a Islândia foi um dos países que foram atingidos pela crise que mais cresceu no último ano, cerca de 2,1%. E para esse ano, a previsão é que cresça ainda mais, com cerca de 2,7%.

Tempos atrás, isso poderia parecer uma loucura, um idealismo. Mas esse pequeno país vem mostrando ao mundo que é possível a caminhada rumo á democracia direta.