O Vatileaks: A crise do Vaticano faz parte da crise do sistema capitalista

silêncio ensurdecedor
O que está nos livros escolares dos EUA sobre a guerra no Iraque?
21 de março de 2013
Jornalistas da Veja e de O Globo foram informantes do cônsul norte-americano durante as eleições presidenciais
22 de março de 2013

O Vatileaks: A crise do Vaticano faz parte da crise do sistema capitalista

Vatileaks

A corrupção sempre existiu no Vaticano, inclusive com importantes negócios em comum com a máfia. Da mesma maneira, a colaboração com os regimes mais sinistros, como os fascistas e os nazistas, sempre foi a tônica.

O que as revelações dos documentos secretos por chamado Vatileaks mostram de diferente, desta vez, são os bastidores da corrupção revelados, não só pela quebra de um banco, mas pelo punho e letra dos principais cardeais e do próprio Papa Ratzinger. São cartas, notas, mensagens e telegramas que mostram as disputas pelo poder, as brigas entre as várias alas, a corrupção e as conspirações pelo controle do IOR (Instituto para as Obras Religiosas), ou o que é o mesmo, o Banco do Vaticano, totalmente privada do disfarce religioso.

A disputa entre os atores principais, o ex-presidente do Vaticano, Gotti Tedeschi, aliado de Razinger, integrante do Opus Dei, e homem do Banco Santander desde 1992, e o Secretario de Estado, Monseñor Bertone, era a ponta de lança das brigas internas.

Tudo aponta a que a revelação dos documentos secretos pelo mordomo Paolo Gabriele tenha por trás gente do alto escalão, pois está claro que foi uma operação detalhadamente projetada. Tedeschi foi demitido por “irregularidades” apenas uns dias antes da revelação dos documentos. Os resultados práticos das revelações foram  a renuncia do Papa e a saída de cena de Bertone.

Os setores mais direitistas do Vaticano, como os vinculados à Fraternidade de San Pio X, fundada por Monsenhor Lefebvre, haviam sido os mais favorecidos por Ratzinger, com cargos e  rápida suspensão das sanções canônicas.

A existência de contas anônimas e o bloqueio de dinheiro não era nada desconhecido. O assassinato de Roberto Calvi, vinculado à lógia maçônica P2 e presidente do Banco Ambrosiano, que um grande conhecedor dos mecanismos de lavagem de dinheiro mafioso, ao que tudo indica, foi uma queima de arquivo.

No anos de 1990, o Banco do Vaticano criou uma rede de contas bancárias em nome de fundações falsas para lavagem de dinheiro sujo. Isto levou inclusive à investigação do banco criado em paralelo para esta finalidade, o Enimonte, o qual chocou a  sociedade italiana em pleno auge da luta antimáfia, quando a burguesia buscava desviar a atenção da bancarrota do regime político que levou o desaparecimento da Democracia Cristiana da cena. A novidade exposta pelo Vatileaks é que hoje, em lugar de nomes falsos das fundações, aparecem os nomes dos religiosos.

O Vaticano está muito longe do céu e muito perto dos pecados terrenos, principalmente dos setores mais reacionários da direita mundial.

 

A crise do Vaticano faz parte da crise do sistema capitalista

 

Vatileaks

Vatileaks

A tremenda crise do Vaticano se expressa na incapacidade do grupo ultradireitista dominante em estruturar uma nova política de saída, da mesma maneira que acontece com o capitalismo mundial.

A corrupção e os vínculos com a máfia são componentes dos mecanismos da própria sobrevivência do Vaticano, da mesma maneira que acontece com qualquer grande empresa capitalista.

A crise teológica, de fato, é a expressão da crise política que, perante a falta de alternativas, tenta dar uma saída radicalizando a mesma política reacionária.

A crise atual do Vaticano representa um prolongamento da crise que adquiriu níveis críticos depois da Segunda Guerra Mundial por causa de ter apoiado os regimes nazifascistas. O Papa João XXIII tentou dar saída pela esquerda, no Concilio Vaticano II de 1962. A direita da Igreja Católica e a reação imperialista mundial se opuseram atacando os setores da esquerda que começavam a estruturar-se, principalmente na América Latina, em torno à chamada Teologia da Libertação. A ultradireita continuou apoiando as ditaduras mais tenebrosas e sanguinárias, contra as quais a esquerda tinha se levantado. Com o ascenso do neoliberalismo, na segunda metade da década de 1980, a ultradireita do Opus Dei cresceu, acabou eliminando as outras alas e passou a formar parte do bloco direitista pela imposição do neoliberalismo em escala mundial.

A solução de Bergoglio como “saída” à crise do Vaticano, na prática, não representa uma verdadeira solução. É um remendo que deverá desembocar em novas e mais agudas crises principalmente com o decorrer do aprofundamento da crise capitalista que provocará a erosão dos lucros do Vaticano, a perda de fieis e o aumento do repúdio das massas contra sua política reacionária.