Plim-Plim, a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral da Globo

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Plim-Plim, a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral da Globo

Caso Globo-Proconsult:  

 “Brizola ganhou as eleições de 1982 duas vezes, “na lei e na marra”. Porque os militares, o SNI e a Polícia Federal escolheram a empresa Proconsult para dar a vitória a Moreira Franco; ao mesmo tempo em que as Organizações Globo – jornal e TV – preparavam a opinião pública.”

Brizola, notório desafeto da Globo, iria ganhar a eleição para governador do Rio de Janeiro e a Globo / Proconsult armaram um esquema fraudulento de apuração e computação de votos em que estava embutido no sistema de apuração da Proconsult um redutor de votos de Brizola, beneficiando seu oponente, de modo a que Brizola jamais ganhasse a eleição.

Os argumentos, porém, eram poucos matemáticos: falavam na elevada proporção de votos que seriam (seriam!) anulados na conferência final antes da entrada dos dados no computador. Ou seja, os mapas procedentes das juntas apuradoras iriam ser alterados, porque os pobres (eleitores do Brizola) não teriam competência para preencher com correção a cédula, muito complexa, pois a eleição envolvia também a escolha de senadores, deputados estaduais e federais, prefeitos e vereadores. Somado tudo, daria vantagem de 60 mil votos para o candidato do regime militar. de um ladoa Rádio JB, com os números somados dos mapas do próprio TRE dando vitória a Brizola; do outro, a Proconsult, com seu dirigente falante, e o Sistema Globo, afirmando a vitória do Moreira, com o suporte bombástico da televisão.

A Rádio JB dera um flagrante inesperado: revelara os números reais – o pronunciamento da maioria do povo – antes que a combinação dos “60 mil” se materializasse. No final da semana, enquanto Brizola se anunciava vencedor com base nos números da Rádio JB, o Sistema Globo recompunha seus números, aproximando-os da verdade. Um mês depois, imerso em crise, o TRE apresentou seus números: eram os nossos com diferênças de milésimos.

Do episódio uma lição: a tecnologia pode estar também a serviço do mal. Se em 82 a eleição estivesse totalmente informatizada, como tem sido nos últimos tempos, a história teria sido diferente: não teria havido condições de oferecer a apuração paralela, que foi a verdadeira. O resultado teria sido outro, pois o sistema eletrônico fora manipulado para alterar a vontade popular.

Enquanto o governador Leonel Brizola foi vivo a Globo jamais tocou no assunto e sempre teve que engolir a verdade dos fatos denunciados por Brizola. Mas bastou que ele morresse para a Globo retratar o caso da fraude eleitoral como sendo um mero caso de apuração de votos onde determinada região anti-Brizolista estava sendo computada antes de outra região notadamente Brizolista e com isso dando a impressão de que Brizola não ganharia a eleição.

Alertado por correligionários, por fiscais do PDT e principalmente por um alto funcionário da própria Globo sobre a fraude que estava sendo intentada na apuração e cômputo dos votos, Brizola contratou o Instituto Pasqualini para uma análise técnica da questão e foi constatada a fraude no sistema de apuração Proconsult / Rede Globo.

Diante do fato gravíssimo (fraude eleitoral), sabendo que a imprensa brasileira é falida, lacaia e serviçal, e que não tem coragem de enfrentar a Globo, principalmente pelo arquivo e dossiês que a Globo possui da chamada grande imprensa, Brizola então, numa lucidez fantástica, convoca a imprensa internacional e numa memorável coletiva faz uma das mais graves e sérias acusações documentadas sobre a Globo / Proconsult. E o caso da fraude eleitoral então desmorona e passa a ter repercussão internacional.

O fato é que o presidente da Proconsult não foi preso (nem Roberto Marinho), não fugiu para Paris, o “esquema” armado contra Brizola foi completamente desmoronado, Brizola acabou sendo eleito governador do Rio de Janeiro, a Proconsult jamais voltou a operar em esquema de apuração de eleições, e ambas (Globo e Proconsult) foram desmoralizadas publicamente. E agora, mais de 20 anos após o fato transcorrido e somente após a morte de Leonel Brizola, a Globo quer dar uma versão nova para o fato, como se nada tivesse acontecido e como se não passasse de um delírio de Brizola o escândalo da fraude eleitoral montado pela Globo e pela Proconsult.

O caso é tema do livro: Plim-Plim, a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral, o livro-reportagem dos jornalistas Paulo Henrique Amorim e Maria Helena Passo.

O caso é tema do livro: Plim-Plim, a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral, o livro-reportagem dos jornalistas Paulo Henrique Amorim e Maria Helena Passo.

.O grande valor do livro do jornalista é que além de resgatar parte da história do Brasil, já que a Justiça Eleitoral, responsável pela contratação da empresa de informática Proconsult, tenta esconder na sua história oficial a tentativa de fraude realizada em 1982; é que ele propicia, por iniciativa de Paulo Henrique, a discussão das urnas eletrônicas brasileiras, em uso desde 1996, que a mesma Justiça Eleitoral garante serem 100% seguras – embora elas não imprimam o voto e não permitam recontagem.

 

O livro de Paulo Henrique Amorim e Maria Helena Passos – além do resgate histórico do episódio Proconsult, contém detalhado levantamento do papel da Rede Globo de Televisão e do jornal ‘O Globo’ no Caso Proconsult, tentando dar credibilidade a versão de que Brizola estava perdendo as eleições para o candidato Moreira Franco, apoiado pela direita.

“Portanto, leitor, muito cuidado quando alguém falar sobre a pretensa seriedade do “Jornal Nacional” ou sobre a pretensa seriedade jornalística da Globo. Não imagine que os pecados da Globo sejam somente ter sido contra as “Diretas Já” ou por ter editado o debate Collor e Lula, levando Collor ao poder. Os crimes e pecados da Globo são imensos, enormes, quase que incontáveis, começa pela fraude da sua criação com o escândalo Time-Life, passa pelo acobertamento da tentativa de genocídio do Riocentro, do Gasômertro, da operação Oban, pelos assaltos a banco (Banerj, Banco do Brasil, Caixa Econômica/FGTS/Projac), pelo escândalo do Papatudo, da Afundação Roberto Marinho, da Rádio TV Paulista, do BNDES, e outros. São invejáveis 40 anos de crimes, fraudes, corrupção e perseguição” Roméro da Costa Machado”

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