PSDB comprou laudo fraudado para anular Lista de Furnas

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PSDB comprou laudo fraudado para anular Lista de Furnas

Um laudo de 56 páginas, encomendado pelo PSDB ao perito americano Larry F. Stewart, ex-integrante do serviço secreto dos Estados Unidos e especialista em fraude de documentos, ajuda a desmontar a Lista de Furnas – uma relação de 156 políticos de oposição, a maioria tucanos, supostamente beneficiados com doação de caixa 2 na eleição de 2002. A lista falsa trazia os nomes dos ex-governadores José Serra (São Paulo), Eduardo Azeredo e Aécio Neves (Minas).

Apesar do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais afirmar que versões da lista fossem criadas a partir do computador de Nilton Monteiro. Laudo da Polícia Federal sobre os originais entregues comprovaram a assinatura de Dimas Toledo nos papeis.

No laudo, o perito assegura que o documento, trazido a público em 2006 pelo lobista Nilton Monteiro, é uma fraude grosseira. “Após análise da combinação de todas as incompatibilidades e fatores relatados, concluo que a fotocópia apresentada e o original da lista de Furnas são, de fato, fraudulentos”, afirma. A direção do PSDB afirmou ter pago R$ 200 mil.

No dia 20 de junho, logo após a divulgação do laudo do Instituto Nacional de Criminalística declarando não haver montagem na lista encabeçada pelos candidatos majoritários do PSOB -José Serra (Presidência), Geraldo Alckmin (governo de São Paulo), Aécio Neves (governo de Minas Gerais), José Aníbal (senador por São Paulo), Eduardo Azeredo (senado por MG) -, o senador Arthur Virgílio fez um irado discurso no Congresso pondo em dúvida a validade do laudo e acusando a Polícia Federal e seu superior, o ministro da Justiça, de parcialidade com motivações eleitorais.

No discurso, Virgílio chegou a “exigir” que Márcio Thomaz Bastos se pronunciasse “em 24 horas, nem um minuto a mais”, contra o laudo e as investigações da PF, “ou ele vai ver o que é bom pra tosse”. A bravata do senador foi publicada com destaque, mas não se viu uma palavra sobre a fragilidade das “provas” por ele exibidas contra o laudo da PF: dois outros laudos assinados por peritos particulares – e, portanto, sem valor judicial -, concluindo pela “falsidade das assinaturas e rubricas atribuídas ao dr. Dimas Fabiano Toledo”.

A constatação da perícia da Polícia Federal de que é autêntica a assinatura do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo na lista de repasses ilegais a candidatos na campanha de 2D02 feitos com o aval da estatal mineira, não motivou a imprensa a divulgar a lista com o nome de 156 políticos que aparecem na lista do caixa 2 nas eleições daquele ano.

O PSDB contratou em 2012 o perito americano Larry F. Stewart para elaborar um laudo da lista de Furnas. No laudo o perito atestou a falsidade do documento.Este mesmo perito foi considerado culpado na corte de Nova Iorque por mentir ao dizer ter feito laudos em planilhas em um processo sem vínculo com a Lista de Furnas.

O perito estadunidense, contratado pelo PSDB, foi afastado do laboratório forense do serviço secreto dos EUA após ser preso por ter cometido perjúrio (mentido) em um tribunal de Nova York, a respeito de um laudo sobre falsificação de documento.

http://www.justice.gov/usao/nys/pressreleases/May04/stewartlarrycomplaint.pdf

O procurador dos Estados Unidos, David N. Keley, anunciou, em agosto, para o Distrito Sul de Nova York que LARRY F.STEWART, Diretor do Laboratório do Serviço Secreto dos Estados Unidos, foi preso sob a acusação de perjúrio no início deste ano no julgamento de Martha Stewart e Peter Bacanovic. As acusações estão contidas em uma queixa-crime que foi apresentada hoje no tribunal federal de Manhattan.

Segundo a denúncia, LARRY F. STEWART testemunhou como perito no julgamento de Stewart e Bacanovic, em relação ao exame forense de tintas em uma planilha que listava várias posições de valores mobiliários detidos por Martha Stewart e que continha várias anotações manuscritas.

Em 31 de julho de 2012 o ministério público do estado do Rio de Janeiro ofereceu denúncia contra 11 pessoas. Entre os denunciados encontram-se o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo, o lobista Nilton Monteiro, o ex-deputado federal e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson e funcionários de empresas envolvidas no caso. Nenhum político do PSDB ou do PFL foi denunciado na ocasião. O processo ainda não foi aceito pela primeira instância e corre em segredo de justiça.

Nilton Monteiro foi quem trouxe a público a Lista de Furnas em 2006.

Nilton Monteiro foi quem trouxe a público a Lista de Furnas em 2006.