Para EUA, Brasília é vulnerável a ataques, diz jornal citando WikiLeaks

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Para EUA, Brasília é vulnerável a ataques, diz jornal citando WikiLeaks

Reportagem da ‘Folha de S.Paulo’ reproduz trecho de telegrama diplomático.
Caso cita roubo de avião perto de Brasília em 2009; Defesa não comentou.

[O caso] Iluminou uma vulnerabilidade para ações com potencial terrorista, dado que a decisão [de atirar] não teria sido tomada a tempo de impedir o piloto se ele tivesse condições de jogar seu avião em um alvo, ou outro prédio, inclusive em Brasília”

Trecho do suposto telegrama da embaixada dos EUA revelado pelo site WikiLeaks

Um suposto telegrama da embaixada dos Estados Unidos divulgado pelo site WikiLeaks diz que o espaço aéreo de Brasília é vulnerável a ataques terroristas, segundo reportagem deste domingo (12) do jornal “Folha de S.Paulo”. Procurado pelo G1, o Ministério da Defesa não comentou o caso.

O telegrama teria sido produzido em março do ano passado, depois que um pequeno avião de passageiros foi roubado em Luziânia (GO), a cerca de 50 km de Brasília. O avião, um monomotor, caiu em um shopping center de Goiânia, matando o piloto e a filha dele, de 5 anos.

De acordo com a reportagem, o episódio teria motivado a correspondência diplomática entre a embaixada e o governo dos EUA sobre a eficácia da Lei do Abate brasileira, aprovada em 1998, mas só regulamentada em 2004.

Veja como foi o roubo e o acidente com o monomotor, em 12 de março de 2009Veja como foi o roubo e o acidente com o monomotor, em 12 de março de 2009 (Foto: Editoria de Arte/G1)

O telegrama questionava os procedimentos da Força Aérea para aplicação da lei, que depende de autorização presidencial para efetuar disparos em uma aeronave que esteja sobrevoando espaço aéreo não autorizado.

“[O caso] Iluminou uma vulnerabilidade para ações com potencial terrorista, dado que a decisão [de atirar] não teria sido tomada a tempo de impedir o piloto se ele tivesse condições de jogar seu avião em um alvo, ou outro prédio, inclusive em Brasília”, diz trecho do despacho reproduzido pelo jornal.

O avião roubado em Luziânia foi acompanhado por um Tucano da Força Aérea Brasileira (FAB), que passava relatos sobre a conduta do piloto. “A FAB acertou. Não havia a possibilidade de abate. A conduta foi correta”, disse o ministro Nelson Jobim na época.

Ele disse que não houve temor de que o avião fosse arremessado contra o solo. “Não houve, porque o que estava se tentando ver, o que se enxergava e o que o piloto do Tucano informava era que havia sobrevoo, com uma certa imperícia, mas que havia sobrevoo. A queda naquele local [no shopping] estaria ligada ao não saber monitorar a distribuição de combustível de uma asa para outra”, disse Jobim.

Logo após o roubo do avião, o Ministério da Defesa chegou a considerar a possibilidade de um atentando terrorista. O comando da Aeronáutica determinou a decolagem de um Mirage 2000, que saiu de Anápolis (GO) em direção a Brasília (DF), já que a principal missão desse tipo de caça é proteger a capital do país.

Já em voo, o radar do Mirage localizou o monomotor roubado e a direção que ele seguia. Mesmo depois de a hipótese de atentado terrorista ter sido descartada, o Mirage continuou sobrevoando Brasília para garantir a segurança da capital.

A Aeronáutica enviou uma segunda aeronave – oTucano, que tem velocidade semelhante à do monomotor –, para acompanhar seu trajeto. O Tucano escoltou o monomotor até a queda.